Boletim 10/2011

outubro/2011

Ataque à Saúde Mental!

Governo estadual planeja fechar Centro de Atenção Integral à Saúde Mental Água Funda para entregá-lo à privatização.

Governo Alckmin (PSDB) apronta mais uma. Dando continuidade ao desmonte sistemático da saúde pública de São Paulo, o Governo Alckmin prepara, agora, a privatização do Centro de Atenção Integral a Saúde Mental (CAISM) Água Funda.

A unidade, que é referência no atendimento humanizado da Saúde Mental, a número 1 da Grande São Paulo na avaliação do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares (PNASH 2005/Ministério da Saúde), será terceirizada para uma Organização Social (OS). A privatização do SUS em São Paulo já deu mostras de que, apesar do discurso de “choque de gestão”, “aumento da eficiência”, “redução de custos”, o que se viu e se vê é o desvio das já escassas verbas da saúde para aplicação no mercado financeiro, é a falta de insumos, instrumentos e medicamentos básicos para atendimento, é a precarização das condições de trabalho em saúde, é o aumento das iniqüidades de acesso ao serviço de saúde, é a priorização do lucro em detrimento das necessidades de saúde da população. Se isso é verdade em relação à saúde como um todo, na área da Saúde Mental, que concentra transtornos de saúde associados a situações de maior vulnerabilidade social, o impacto da terceirização tende a ser tragicamente pior.

E como se não bastasse o impacto da privatização, o Governo Alckmin pretende ainda transformar o CAISM Água Funda, que é uma unidade complexa que abrange atendimento de Hospital Dia, CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), residência terapêutica, leitos para internação de diferentes transtornos mentais associados (e não apenas álcool e drogas) em um centro de internação apenas de dependência química. Essa proposta de “manicônio álcool e drogas” faz parte da política de internações involuntárias e compulsórias que foi escolhida como estratégia de diferentes governos para “limpar” os espaços públicos (como as cracolândias nos centros das cidades), principalmente visando os grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Aqui em São Paulo a proposta é defendida por Ronaldo Laranjeira, membro do Conselho Consultivo de Saúde Mental do Governo de São Paulo (desde a época de José Serra) e é ao mesmo tempo do Conselho Administrativo da maior OS do Brasil, a SPDM (Associação Paulista Para o Desenvolvimento da Medicina).

Transformar um serviço de excelência em Saúde Mental em um “manicômio álcool e drogas” fatalmente vai gerar desassistência:

  • Quem fará a reabilitação psicossocial dos 34 moradores e todos os outros usuários do CAISM Água Funda?
  • Quem evitará internações desnecessárias de usuários atendidos no HD (Hospital Dia) Água Funda?
  • Quem atenderá as recaídas e/ou reagudizações dos usuários de drogas com transtornos psicóticos, sem o CAISM?
  • Qual serviço será referenciado para atender as internações de 79 vagas disponíveis hoje no CAISM Água Funda?
  • Para onde irão os trabalhadores desse serviço, que se especializaram, se qualificaram e trabalham no serviço número 1 da Grande São Paulo?
  • Para onde vai o investimento financeiro e aplicação de novas tecnologias implantadas nesse serviço?
  • E, afinal, será que o Governo do Estado de São Paulo, para construir um serviço, precisa destruir outro???

O Fórum Popular de Saúde de São Paulo se agrega aos trabalhadores e usuários na luta em defesa do CAISM Água Funda “Dr. David Capistrano da Costa Filho”:

Contra a privatização do CAISM Água Funda!

Contra o despejo e a desassistência promovida por essa política!

Contra a mercantilização da Saúde! Saúde não é mercadoria!

Em defesa do SUS 100% público, estatal e de qualidade!